Filha do Mesmo Oceano by Iza Costa
Filha do Mesmo Oceano Nasci em março, quando os ventos ainda conversavam com o verão e as águas guardavam reflexos de estrelas. Nasci sob o signo dos peixes, como se o destino já soubesse que meu coração pertenceria ao mar. Minha mãe navegava tranquila pelas águas de Angra dos Reis, entre ilhas adormecidas e montanhas cobertas de verde, quando eu, impaciente, decidi conhecer o mundo. Não esperei a chegada. Não esperei o amanhã. Chamaram-me as ondas, e eu respondi ao chamado. Assim cheguei, envolvida pelo perfume salgado da maresia e pela bênção silenciosa do oceano. Dizem que o mar testemunhou meu primeiro choro. Talvez por isso eu nunca tenha conseguido esquecê-lo. No dia seguinte, pequena demais para compreender a viagem, retornei em um simples barco de pesca, embalada pelo balanço das águas, como se ainda estivesse nos braços da própria natureza. O barco seguia para Paraty. E eu seguia para minha história. Ali fui registrada. Ali cresci. Ali aprendi a ouvir o canto das ondas, a ...