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Mostrando postagens de junho, 2026

Filha do Mesmo Oceano by Iza Costa

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Filha do Mesmo Oceano Nasci em março, quando os ventos ainda conversavam com o verão e as águas guardavam reflexos de estrelas. Nasci sob o signo dos peixes, como se o destino já soubesse que meu coração pertenceria ao mar. Minha mãe navegava tranquila pelas águas de Angra dos Reis, entre ilhas adormecidas e montanhas cobertas de verde, quando eu, impaciente, decidi conhecer o mundo. Não esperei a chegada. Não esperei o amanhã. Chamaram-me as ondas, e eu respondi ao chamado. Assim cheguei, envolvida pelo perfume salgado da maresia e pela bênção silenciosa do oceano. Dizem que o mar testemunhou meu primeiro choro. Talvez por isso eu nunca tenha conseguido esquecê-lo. No dia seguinte, pequena demais para compreender a viagem, retornei em um simples barco de pesca, embalada pelo balanço das águas, como se ainda estivesse nos braços da própria natureza. O barco seguia para Paraty. E eu seguia para minha história. Ali fui registrada. Ali cresci. Ali aprendi a ouvir o canto das ondas, a ...

Saudade do Mar de Paraty by Iza Costa

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Saudade do Mar de Paraty Há noites em que o vento me chama pelo nome, e eu quase posso sentir o perfume salgado da maresia atravessando as janelas do tempo. Então fecho os olhos e volto a caminhar pelas praias de Paraty, onde a infância ainda corre descalça sobre a areia dourada das lembranças. Vejo o velho farol, guardião silencioso das marés, erguido entre o céu e o oceano como quem vigia segredos antigos. Sua luz ainda dança em minha memória, mesmo depois de tantos anos, como uma estrela que se recusou a partir. Escuto a canção do mar. Ah, essa canção... Nenhuma orquestra do mundo consegue repetir sua melodia. São ondas que chegam e partem, contando histórias que só as crianças e os poetas conseguem compreender. E eu era uma dessas crianças. Na praia do Pontal, escrevia versos tortos na areia, acreditando que o oceano os guardaria em seu imenso coração azul. As ondas vinham, levavam minhas palavras, e eu sorria, sem saber que um dia seria eu quem viveria de saudades. Lembro-m...