Saudade do Mar de Paraty by Iza Costa
Saudade do Mar de Paraty
Há noites em que o vento me chama pelo nome,
e eu quase posso sentir
o perfume salgado da maresia
atravessando as janelas do tempo.
Então fecho os olhos
e volto a caminhar pelas praias de Paraty,
onde a infância ainda corre descalça
sobre a areia dourada das lembranças.
Vejo o velho farol,
guardião silencioso das marés,
erguido entre o céu e o oceano
como quem vigia segredos antigos.
Sua luz ainda dança em minha memória,
mesmo depois de tantos anos,
como uma estrela que se recusou a partir.
Escuto a canção do mar.
Ah, essa canção...
Nenhuma orquestra do mundo
consegue repetir sua melodia.
São ondas que chegam e partem,
contando histórias que só as crianças
e os poetas conseguem compreender.
E eu era uma dessas crianças.
Na praia do Pontal,
escrevia versos tortos na areia,
acreditando que o oceano os guardaria
em seu imenso coração azul.
As ondas vinham,
levavam minhas palavras,
e eu sorria,
sem saber que um dia
seria eu quem viveria de saudades.
Lembro-me da Jabaquara.
Lembro-me da minha avó.
Suas mãos eram porto seguro,
seu abraço tinha a calma das águas mansas,
e sua voz misturava-se ao som das marés
como uma prece antiga.
Caminhávamos juntas,
enquanto o sol pintava de ouro
as montanhas e os barcos adormecidos.
Eu não sabia que aqueles instantes
eram tesouros.
As crianças nunca sabem.
Pensam que os dias felizes
serão eternos.
Hoje a menina cresceu.
Os cabelos mudaram,
o tempo passou,
os caminhos seguiram outros rumos.
Mas dentro dela ainda existe
uma pequena poeta sentada na areia,
olhando o horizonte,
esperando que o mar lhe conte mais uma história.
E quando a saudade dói,
muito mais do que deveria,
eu compreendo:
não sinto falta apenas das praias,
nem do farol,
nem das ondas.
Sinto falta dos dias
que partiram navegando.
Sinto falta da avó,
da menina que fui,
dos sonhos simples,
da inocência que o tempo levou.
Mas o mar é generoso.
Ele nunca nos abandona completamente.
Guarda em cada onda
um fragmento do que amamos.
Por isso, quando o vento traz
o aroma distante do oceano,
eu sorrio entre lágrimas.
Porque sei que, em algum lugar,
o velho farol continua aceso,
a Jabaquara continua beijando a areia,
e a menina que escrevia poesias no Pontal
ainda caminha pela praia,
de mãos dadas com a avó,
sob o céu eterno de Paraty.
E o mar...
o mar continua cantando.
Como sempre cantou.
Como sempre cantará.
Dentro de mim.
Para sempre
Há noites em que o vento me chama pelo nome,
e eu quase posso sentir
o perfume salgado da maresia
atravessando as janelas do tempo.
Então fecho os olhos
e volto a caminhar pelas praias de Paraty,
onde a infância ainda corre descalça
sobre a areia dourada das lembranças.
Vejo o velho farol,
guardião silencioso das marés,
erguido entre o céu e o oceano
como quem vigia segredos antigos.
Sua luz ainda dança em minha memória,
mesmo depois de tantos anos,
como uma estrela que se recusou a partir.
Escuto a canção do mar.
Ah, essa canção...
Nenhuma orquestra do mundo
consegue repetir sua melodia.
São ondas que chegam e partem,
contando histórias que só as crianças
e os poetas conseguem compreender.
E eu era uma dessas crianças.
Na praia do Pontal,
escrevia versos tortos na areia,
acreditando que o oceano os guardaria
em seu imenso coração azul.
As ondas vinham,
levavam minhas palavras,
e eu sorria,
sem saber que um dia
seria eu quem viveria de saudades.
Lembro-me da Jabaquara.
Lembro-me da minha avó.
Suas mãos eram porto seguro,
seu abraço tinha a calma das águas mansas,
e sua voz misturava-se ao som das marés
como uma prece antiga.
Caminhávamos juntas,
enquanto o sol pintava de ouro
as montanhas e os barcos adormecidos.
Eu não sabia que aqueles instantes
eram tesouros.
As crianças nunca sabem.
Pensam que os dias felizes
serão eternos.
Hoje a menina cresceu.
Os cabelos mudaram,
o tempo passou,
os caminhos seguiram outros rumos.
Mas dentro dela ainda existe
uma pequena poeta sentada na areia,
olhando o horizonte,
esperando que o mar lhe conte mais uma história.
E quando a saudade dói,
muito mais do que deveria,
eu compreendo:
não sinto falta apenas das praias,
nem do farol,
nem das ondas.
Sinto falta dos dias
que partiram navegando.
Sinto falta da avó,
da menina que fui,
dos sonhos simples,
da inocência que o tempo levou.
Mas o mar é generoso.
Ele nunca nos abandona completamente.
Guarda em cada onda
um fragmento do que amamos.
Por isso, quando o vento traz
o aroma distante do oceano,
eu sorrio entre lágrimas.
Porque sei que, em algum lugar,
o velho farol continua aceso,
a Jabaquara continua beijando a areia,
e a menina que escrevia poesias no Pontal
ainda caminha pela praia,
de mãos dadas com a avó,
sob o céu eterno de Paraty.
E o mar...
o mar continua cantando.
Como sempre cantou.
Como sempre cantará.
Dentro de mim.
Para sempre.
@izacostapoeta
